Derrames e Doenças da Pleura

A pleura pode ser local de doenças benignas e malignas, processos primários ou secundários. O acúmulo de líquido no espaço pleural, o derrame pleural, é a condição mais freqüente de patologia pleural.

Em relação aos processos neoplásicos da pleura, os primários são minoria comparados com a alta freqüência do câncer metastático no espaço pleural.

Os pacientes com derrame pleural são frequentemente sintomáticos, apresentando dispnéia, dor, tosse e perda de função. A dispnéia e a tosse são ocasionadas pelo efeito de massa no espaço pleural, comprometendo a boa expansão e ventilação pulmonar.

A dor em geral é aguda e vai se agravando através da movimentação respiratória, o que acaba inibindo a inalação reflexiva. O mecanismo doloroso se processa através dos nervos somáticos da parede torácica (cervical e pleura parietal) e através do nervo frênico (diafragma e pleura mediastinal), causando dor no peito ou nas costas e frequente irradiação para os ombros.

A pleura visceral contém somente fibras parassimpáticas, o que a torna insensível embora a extensão do comprometimento da pleura visceral envolvendo a pleura parietal pode causar a típica dor pleurítica (dor que piora à inspiração).

A meta do tratamento destes pacientes deve ser o alívio ou diminuição da dispnéia, recuperação da função e normalização da atividade, minimizando ou eliminando a hospitalização.

Mais de 25% de todos os derrames pleurais são secundários ao câncer. Pacientes com neoplasias frequentemente desenvolvem derrames pleurais malignos secundários as suas doenças. Nestes pacientes, cerca de 50-60% dos derrames são diagnosticados com células neoplásicas na primeira toracocentese.

Em 25% dos pacientes com câncer e com derrame pleural recorrente não se identificaram células neoplásicas pelo exame anatomopatológico. O mecanismo da formação líquida se deve basicamente por obstrução linfática que ocorre na periferia pulmonar ou comprometimento dos linfonodos do mediastino. A toracoscopia é o método para a realização de diagnóstico em mais de 90% dos casos.

Terminologias mais específicas podem ser usadas quando a natureza do fluido é conhecida. Hidrotórax é uma coleção serosa, fluida tanto transudativa como exsudativa. Na forma de pus, o derrame pleural é referido como piotorax ou empiema. Termos adicionais são usados quando há sangue (hemotórax) e quilo (quilotórax).

A identificação do tipo específico de derrame ajuda na determinação da causa e decorrente tratamento. O exame depende de pelos menos 20ml de fluido obtido por punção torácica (toracocentese). Os testes básicos deverão incluir contagem total e diferencial de células, proteína total, DHL, glicose, PH, citologia oncótica e bacteriológico completo.

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